Data Especial

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Status: Finished  |  Genre: Mystery and Crime  |  House: Booksie Classic
Breve história em homenagem ao Dia das Mães.

Submitted: May 05, 2016

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Submitted: May 05, 2016

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Data Especial


Havia pouca luz no ônibus, afinal a manhã praticamente havia começado. Não para mim, que aguardei ansiosamente pelo reencontro ao aconchego do lar, não pelo conforto, mas sim pela familiaridade. O cobrador me olha de uma maneira curiosa, não posso afirmar que me reconhece, seria o pensamento de uma mente paranóica. Ainda que houvesse qualquer tipo de interação não há motivos para temer, não estou cometendo mal algum.


Ao chegar, noto que a casa está com uma aparência impecável, como era de se esperar dos exigentes senhorios, ainda que fosse estranha a ausência das imponentes máquinas automobilísticas que repousavam no local. Melhor assim, aquilo ocupava um espaço prático enorme. Ao chegar na sala me deparo com uma característica única e maravilhosa: O silêncio. Tão diferente de outros tempos onde havia um constante movimento causado pela interação, hoje o silêncio é imóvel como um lago e igualmente ermo. A cozinha também impecável, seria correto assumir que pelo motivo de raramente ser usada, lembrando os ríspidos comentários de seu querido pai. Claramente o ambiente mais falso da casa, um lugar onde atores e atrizes metafóricos subiam no palco para uma péssima apresentação. Por pior que fosse, ainda haviam os que se reuniam para o espetáculo. Tal qual mariposas pela luz é o fascínio do ser humano para a tragédia, em que nada é baixo o suficiente para quem está disposto a promover um espetáculo. Falaria sobre isso com seus pais quando surgisse a oportunidade.


Já me arrependendo de ter começado, procuro terminar logo a minha visita. Ao me dirigir para o quarto, sou surpreendida por um débil adesivo se agarrando fracamente a parede, ao arrancar de uma vez a lembrança de uma decoração, lembro que este é o quarto do meu querido irmão. Imagino qual motivo específico nos afastou... Costumávamos nos dar muito bem, provavelmente deve ter saído para se divertir. Talvez pudesse convencer seus pais a encontrá-lo nos lugares de sempre para um retorno aos tempos passados.


Ao seguir o pensamento, entro no quarto mais suntuoso da casa, com uma roupa de cama combinada nos mais finos tecidos persas, uma infinidade de vestimentas e jóias preciosas de todos os tipos e tamanhos, tal como um covil dos pavorosos e gananciosos dragões da Idade das Trevas. Sim, este era o quarto dos seus queridos pais, que deveriam estar contagiados de alegria por me receber após tanto tempo. A conclusão foi tão repentina ao notar o quarto tão vazio quanto um túmulo, que não pude conter o riso. Meus queridos pais não estão aqui. Seguindo meus próprios devaneios, me encontro em uma situação onde a ironia sede lugar ao divertimento.


Meus pais não estão aqui, eu os matei.

Texto em homenagem a Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, ilustres descendentes do próprio Barão Vermelho, traídos e mortos cruelmente a mando da própria filha; Suzane von Richthofen.
Que seus espíritos tenham paz mesmo na ausência de justiça.


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