Cold Whispers

Reads: 154  | Likes: 0  | Shelves: 0  | Comments: 0

More Details
Status: In Progress  |  Genre: Romance  |  House: Booksie Classic
This was supposed to be just background story I created for a Dungeons and Dragons Character but when I realised it was already 5 pages long. Should be adding more stuff later (and when I have the time, translated into english as well).

This short story is about a recently promoted assassin elf called Liara,where she was born and how she joined the monk clan of the Night Daggers.

Submitted: August 17, 2016

A A A | A A A

Submitted: August 17, 2016

A A A

A A A


“Tens uma missão Liara e tens a obrigação de a cumprir. Não só pela lealdade que tens ao clan mas também por ti mesma. Se não o fizeres, serás também uma traidora e apenas a morte te espera.”

Liara ouvia as palavras do grã-mestre da ordem enquanto este lhe entregava um envelope de côr negra. Ela já sabia o que continha o envelope assim como o que esperava o seu destinatário. Ainda assim ousou perguntar. “Mas mestre... seguramente Marivalli teria um motivo para fazer o que fez... Não acredito que ela nos traisse...”

“Sei que a tua mentora é como uma irmã mais velha para ti. Mas ela fugiu do mosteiro onde estava confinada e como se isso não bastasse, levou ainda a Silverfang com ela.”

O mestre virou as costas mas continuou a falar. “No seio do clan é ensinada a arte de espiar e assassinar pessoas utilizando um conjunto de técnicas ancestrais do Way of the Shadow, como bem sabes. Os assassinos do clan são extremamente eficientes e com o passar dos anos e conhecendo as intrigas da sociedade, obtêm uma visão do mundo fora do vulgar. No entanto, isto não muda o facto de que assassinamos pessoas Liara, com ou sem técnicas, premeditado ou não, é o que fazemos.”

O grã mestre baixou-se e colheu uma das papoilas que crescia no jardim vermelho do mosteiro, prosseguindo a sua lição. “E a única diferença entre nós e um assassino comum que vende os seus serviços, é a nossa obediciencia aos três punhais e à sabedoria que estes nos impõem para que não utilizemos as técnicas sem razão. Se após o treino, quebrarmos o vinculo com o clan e com o código, não seremos apenas um assassino comum mas sim uma arma mortal extremamente perigosa que não conhece regras ou barreiras, uma ameaça que nós temos o dever de eliminar, assim como fazemos com tantas outras. Ter crescido no clan não faz diferença...”

Liara ouviu e refletiu sobre as palavras do mestre. Ele tinha razão, um assassino dos Night Daggers à solta sem obediencia ao código era bastante perigoso. A sabedoria que tinha do mundo político e a possibilidade de conseguir assassinar alguns elementos chave podiam mergulhar a civilização no caos em poucos meses. É sem dúvida, um alvo a abater.

Ainda assim, custa-lhe a acreditar que a sua mentora se tornaria alguém assim... Liara tinha de saber o que aconteceu, tinha de a encontrar e pedir explicações, mesmo que depois tivesse de aplicar a derradeira penalização. E só havia uma forma de a poder procurar livremente.

“Aceito a missão mestre, a vontade dos três punhais será executada”.

- seperator line -

 

 

 

 

 

Liara nasceu na cidade de Larkahn, a cidade do Pecado. Filha de um elfo mercenário que mais não era que um assaltante sem escrupulos e de uma elfa da floresta que fora escravizada toda a vida, que acabou por morrer de uma doença desconhecida quando a Liara tinha apenas 8 anos. A sua vida como elfa na cidade de Larkahn foi tudo menos fácil. Além de vir de uma familia na miseria e sem estrutura tinha ainda de sobreviver numa cidade ingrata e de péssima reputação.

Fazendo uso da grande agilidade herdada da sua mãe, Liara conhecia Larkahn como a palma da sua mão. Cada telhado, ruela, casa abandonada. Onde encontrar comida, como chegar de uma ponta da cidade à outra sem ser vista por ninguém, como desaparcer em segundos pelo meio da multidão ou pelas multiplas ruas que se cruzavam e entrecruzavam.

 Para sobreviver, além de roubar comerciantes (fossem eles honestos ou não, se é que existe alguém honesto em Larkahn), Liara fazia também trabalhos de transporte de pequenas mercadorias ou recados. Nunca soube o que estava dentro dos pacotes, mas fosse o que fosse, era bom dinheiro para fazer passar os pacotes de fora das muralhas da cidade para dentro delas sem que os guardas dessem conta disso.  E ela era muito boa em passar despercebida.

Quando tinha 12 anos, o seu pai que além de alcoolico também se tinha tornado dependente de ópio, vendeu-a a um mercador de escravos. Liara ainda se debateu, mas sendo apenas uma criança, não havia muito que podesse fazer. Sentindo um grande ódio pelo seu pai que sempre tornou a sua vida miserável, não foi capaz de no fundo ter pena dele e pelo triste destino que o aguardava.

Liara foi então transportada numa carroça de transporte de escravos, escoltada por duas outras carroças e uma dezena de traficantes de escravos, todos bandidos ou mercenarios. Na jaula onde estava, podia ver várias mulheres elfas e humanas, todas mais velhas que ela. A conduzir a carroça iam 2 individuos, um humano careca com estranhos simbolos tatuados na cabeça, vestia um manto azul escuro, adornado com bastante ouro e pedra preciosas e ao lado dele um half-orc carrancudo, com várias cicateizes na cara e de grande evergadura, de tal forma pesado que a carroça inclinava no lado que ele estava sentado.

As mulheres falavam das suas historias, de como foram apanhadas ou vendidas e dos horrors que já tinham sofrido. Muitas choravam, outras já nem tinham lagrimas para chorar e soluçavam apenas. Falavam também do seu destino, que muito provavelmente seriam levadas para o porto de Blacksand onde um barco as esperava ou seriam vendidas no porto mesmo, a um qualquer barão da cidade.

A noite era clareada pela lua cheia e estavam neste momento a passar  no meio de um bosque, através de uma estrada criada há muitos anos atrás pelos exercitos que aqui passaram em busca de conquista. O half-orc, de nome Naluk refilava que já tinha ficado sem alcool e ainda faltava imenso para chegar à cidade. Alguns traficantes discutiam que se não fosse pelo ouro, ainda se iriam divertir esta noite com a “mercadoria”.

Liara estava na parte de trás da carroça, sentido-se bastante frustrada pelo seu destino, mas sem se enfurecer. A cidade de Larkahn ensinara-lhe que, aqueles que se deixam levar por emoções deixam de conseguir pensar devidamente e encontram a morte das formas mais estúpidas. Tentava perceber o que lhe iria acontecer enquanto olhava os dois homens montados nos cavalos na retaguarda da comitiva. Tinham um ar bastante escanzelado e um deles não tinha os dentes da frente. Vinham a picar-se um ao outro por causa de uma garrafa. Adultos sempre gostavam de beber até cair e por mais que se esforçasse, Liara nunca conseguiu perceber o porquê de beberem algo que sabia tão mal, fazia arder por dentro e os deixava completamente inconscientes no chão por horas ou até dias. Isso deixava-a bastante incomodada talvez devido à convivencia com o seu pai que sempre bebia demais.

Entretanto, a lua cheia foi escondida pelas nuvens passageiras e por breves momentos, tudo ficou escuro à excepção de alguns metros em volta das carroças onde estavam afixadas algumas tochas que ardiam sem qualquer fulgor. Liara olhou em volta, mas nada se via além da carroça. Suspirou e tentou aceitar a sua infeliz sorte.

A lua cheia voltou a aparcer no céu trazendo de volta a fraca luz à comitiva e Liara procurou os dois homens que iam na rectaguarda, pelo menos sempre se podia distrair com as picardias deles. Mas não os encontrou. Na rectaguarda da carroça, apenas seguiam os dois cavalos sem ninguém em cima deles. Teriam descido algures e perdido os cavalos? Porque não gritaram para parar a comitiva então?

Liara achou isto extremamente estranho, levantou-se e olhou em volta. Das duas dezenas de mercenarios que guardavam a comitiva, pelo menos metade tinha desaparecido sem deixar rasto, sem qualquer som. Foi então que Naluk, levantando-se na carroça, olhou em volta. Liara viu o medo encher os seus olhos negros e o seu rosto esverdeado ficar pálido à luz da tocha. O que lhe teria causado tanto medo?

O half-Orc gritou em plenos pulmões enquanto pegava no seu enorme machado de duas mãos: “NIGHT DAGGERS!!! ÁS ARMAS SEUS INUTEIS!” E a revolução rebentou na comitiva. Todos os merecenários sacaram das suas espadas e arcos. O outro individuo que estava na carroça levantou-se também, pegou num cajado e começou a murmurar umas palavras incompreensiveis. Seria provavelmente um mago.

Liara olhava em volta tentando acompanhar o que se estava a passar… Vindos das árvores que cercavam o caminho onde proseguiam, uma dezena de vultos vestidos de negro com faixas vermelhas surgiram como relampagos e abateram-se sobre os mercenarios. A mairia nem teve hipótese de ripostar, ou sequer de gritar quando o seu corpo caiu inanimado no chão. Estalou então uma batalha feroz. De um lado vultos silenciosos com pouco mais que as suas vestes empunhando pequenas lâminas negras decoradas com uma faixa vermelha no pomo que ondulava a cada movimento dos assassinos, do outro mercenarios com armaduras enormes, debatendo-se em vão com espadas de duas mãos ou espadas longas com escudos, enquanto berravam gritos de guerra.

Os individuos de negro, apesar de não proferirem uma palavra sequer, estavam perfeitamente coordenados como que se tivessem treinado esta batalha durante dias. Por outro lado, os mercenarios, apesar de desorganizados, lutavam com uma fúria e determinação sem igual, como se o cheiro a sangue lhes fizesse subir a adrenalina à cabeça. Liara estava de olhos esbugalhados a observer cada movimento destas pessoas de negro. Quanta agilidade, quanta elegancia. Pareciam dançar juntamente com a espada e o seu inimigo.

Mas por muito bons que fossem, estes seres misteriosos não faziam frente a Naluk. A força e agilidade com que manejava o seu machado de duas mãos eram dignas de um verdadeiro mestre de armas. Vários dos seus inimigos jaziam no chão, sem braços, sem pernas ou com a cabeça rachada.

Dos vultos destacou-se então um em especial. Apesar das roupas serem iguais aos restantes, este trazia uma espada, também com a lamina negra, mas com o punho cor de prata que reluzia à luz da lua. O Pomo da mesma tinha simbolos estranhos que, quando o seu portador a desembainhou, começaram a brilhar num azul celeste.

Fez sinal para os restantes se afastarem e começou então uma feroz batalha com o half-orc. Este utilizava o machado com uma enorme pericia, impedindo-o de se aproximar demasiado e ao mesmo tempo tentando decepar-lhe um membro do corpo ou mesmo a cabeça. No entanto o vulto movia-se à volta do enorme guerreio, quase que adivinhando cada movimento, desviando-se por milimetros a cada investida e procurando a melhor altura para atacar.

Surge então uma abertura, o half-orc investiu com demasiada força e o vulto negro tentou desviar a machadada com a espada mas o peso do machado forço-o a larga-la. Não interessava, já tinha conseguido entrar na defesa de Naluk. Com dois pequenos passos virou-se então para o guerreiro que só então tinha percebido  a estupidez que fizera e os dois punhos do vulto espetaram-se contra o peito musculado do combatante. Liara olhava atentamente o combate e tendo em conta a diferença de tamanho entre os dois combatentes, seria de esperar que não houvesse qualquer efeito. Para espanto dela, viu a cara do half-orc contorcer-se de dor, uma cuspidela de sangue, o seu enorme corpo a elevar-se meio metro do chão e a ser projectado contra a carroça. O que raio tinha sido aquilo, perguntava-se Liara boqueaberta.

Ao mesmo tempo, o humano estava em cima da carroça parou de recitar as palavras mágicas, ergue o cajado no ar e uma bola de fogo com 2 metros de diametro paira no ar sobre a sua cabeça. Naluk, projectado pelo guerreiro de negro, embateu contra a carroça com tal força que a roda dianteira se desfez e a carroça descai. O mago em cima dela desequilibra-se e a bola de fogo rebenta. De uma luz intensa seguiu-se de um barulho ensurdecedor. A explosão projectou Liara vários metros para fora da carroça deixando-a a contorcer-se de dor. Quando abriu os olhos, além da pele queimada, sentiu uma dor aguda nas suas costas, seguramente teria partido várias costelas. Não conseguia ouvir nada além de um zumbido agudo e sentia um cheiro a carne queimada. A carroça estava agora em chamas, no chão estavam os corpos dos mercenarios e de alguns guerreiros de negro, assim como vários dos prisioneiros que morreram na explosão.

O vulto com a espada de prata reparou em Liara, ainda consciente . Aproximou-se e depois de se ajoelhar ao lado dela, uma voz femenina doce mas arrependida, saiu dos lábios encarnados do vulto:

“Conseguiste sobreviver à explosão? Tiveste sorte de ter sido projectada, todos os outros ocupantes morreram carbonizados.”
Liara não conseguiu ouvir a maior parte das palavras devido ao zumbido nos ouvidos, mas percebeu que esta se referia à explosão. Abriu a boca para dizer algo mas não conseguiu responder, estava cheia de dores e tinha a certeza que tinha vários ossos partidos além das costas e braço esquerdo queimados.

“Peço-te perdão pequena” disse o vulto. “Não era suposto estar aqui um mago, muito menos um que conseguisse criar magias tão poderosas… Os meus pecados esta noite não podem ser apagados e certamente pagarei por eles, mas tu não tens culpa disso. Pelo menos tu serás salva.”

Dizendo isto, o estranho vulto pegou gentilmente em Liara ao colo e levou-a com ela. No meio de tantas dores, com a cabeça a andar à roda e sem forças para conseguir sequer pensar, Liara desmaiou.

- seperator line -

 

 

 

 

 

Vários anos se passaram e Liara tornou-se um membro dos Night Daggers. A sua mentora, Estelle Marivalli, ensinou-lhe toda a arte das sombras enquanto monge e guerreira das Daggers. Esta tinha sido a penitencia dada a Estelle pelo crime que cometeu naquela noite.

Foi-lhe retirada a sua espada, a Silverfang, impedida de sair do mosteiro para sempre e tinha nas suas mãos o dever de criar a criança que quase perdera a vida naquela noite. Um pequeno preço a pagar, tendo em conta a alternativa, pensava Estelle. Além disso, tinha-se afeiçoado bastante à pequena.

Liara tem agora 46 anos. O longo cabelo moreno acompanha os seus olhos verdes côr de Esmeralda. Continua a ter estatura baixa para uma elfa, mas não perde para ninguém quando o assunto é agilidade, até mesmo os mestres têm dificuldade em vence-la nos circuitos de obstáculos. A mestria com que utiliza a espada é apenas rivalizada com a pericia com que atira as facas contra o alvos. Tornou-se sem dúvida uma ninja exemplar.


© Copyright 2017 Nerehvar. All rights reserved.

Add Your Comments: