O último toque de amor

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Status: In Progress  |  Genre: Romance  |  House: Booksie Classic

Submitted: February 16, 2017

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Submitted: February 16, 2017

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Está soprando solenemente, e eu tenho medo de escutar o celular a tocar ou a vibrar, o que fiz ontem acho que não é perdoável. Os olhos dela disseram algo nos segundos que ela descobriu aquilo, mas algo negativo aqueles olhos castanhos pronunciaram, espero que não seja o fim da nossa relação. Continua soprando solenemente, e eu estou aqui com a mão no queixo pensando na mentira que criarei para me defender, será que ela vai acreditar caso eu resolva contar a ela uma mentira? A noite me consola lançando uma luz da lua que me ilumina com muita preguiça, e os meus pensamentos ainda estão fixos nela, a minha... Namorada. O telefone ainda não tocou, o meu coração está tão apertado que se o telefone ousar em tocar, eu desmaiaria de imediato. Ela não me deu tempo de me explicar, ela não me deixou pronunciar a minha versão, ela apenas me chamou de traidor e depois apenas me mostrou as costas, que antes se deitavam junto de mim na nossa cama que hoje está tão fria. Eu fui tão fraco, até chegar ao ponto... Ao ponto de fazer aquilo que fiz, que até me envergonha, talvez ela vai ligar e me dizer que acabou, talvez ela vai me perdoar. Eu me arrependi mas não sei se ela sabe disso pois quem sente o arrependimento sou eu. Ela me amava ou ainda me ama muito, mas não será fácil ela me perdoar, se eu estivesse no lugar dela, não ia perdoar, mas continuando no meu lugar quero ser perdoado, estou tão arrependido. O telefone ainda não tocou, e o meu braço está doendo de tanto aguentar o peso da cabeça enorme que tenho, a luz da lua ganha mais um brilho natural que continua me iluminando, sem saber do pecado grave que cometi, ou talvez a lua saiba, porém não queira me deixar só. Pelo menos as sombras se distanciam de mim pois a luz da lua me ilumina com todo o seu esplendor, pelo menos tenho a quem contar o meu problema que atinge a minha alma. Vi a tela do meu telefone brilhar, o meu coração ganhou um rítmo acelerado dos batimentos cardíacos, pensei que fosse ela a mandar mensagem, mas não era ela, era apenas uma mensagem sem importância. A noite já se transformava em madrugada, o sono me convidava, castigando os meus olhos, fazendo-os ficarem pesados e a lua me dizia que estavam ficando vermelhos também, o sono estava seriamente me convidando, a minha cadeira emitia sons peculiares, descobri que estava a sonecar e quase caíra. Uma mensagem entrou, dou uma olhada e vejo que é uma outra mensagem sem importância, será que ela não há-de ligar mais? Se ela não ligar, seria muito bom para mim, talvez vou aceitar o convite que me foi enviado pelo sono, talvez. O sino da igreja perto da minha casa anuncia a chegada da madrugada, era 01:00. Tenho que dormir, levei a minha cadeira, despedi a lua, as sombras se aproximaram poucos centímetros com medo, mas voltaram onde estavam, abri a porta me direcionei ao meu quarto liguei a lâmpada organizei a cama e deitei o meu corpo a descansar. A lua gosta de mim, ela continua me iluminando, desta vez penetrando através da janela bem ornamentada pelas mãos da minha... Namorada. Aquele pensamento voltou a me assolar quando colocava a minha cabeça sobre a almofada, ela me encontrou exatamente nesta cama que estou agora dormindo nela, com uma outra mulher, tem ela razão se me odiar por isso. O sono que me convidava agora me abandonava serenamente sem deixar vestígios. Levantei da cama fui até a cozinha beber uma água e tornei a colocar o meu corpo sobre a cama, e o telefone ainda continuava sem nenhum sinal, talvez tenha ela me perdoado, talvez. O sono veio mais uma vez agora mais forte, que os meus pensamentos desapareciam no mesmo rítmo de meu respirar. Finalmente consegui dormir, finalmente. Eu ainda não estava livre porque o mesmo pensamento me seguiu até o sonho, e ela... A minha namorada estava lá para me julgar acerca do meu erro ou mesmo pecado, de repente despertei e vi que a tela do telefone estava exibindo um esplendor que me assustou, "chamada perdida", era isso que estava escrito no ecrã, rolei para baixo e vi o nome, não era ela. Fiquei aliviado e coloquei o telefone de volta e dormi novamente. Algo soou, soou tão alto que quase saltei da cama, era o meu telefone, estava escrito "Número desconhecido", então não era ela, decidi atender: - Alô, quem é? - Sou eu. Agora era ela, ela mesma. - Acabou - ela disse. Nada brotou das minhas órbitas, apenas um sentimento peculiar me trazia um aperto no coração, aquilo demonstrava o amor exagerado que eu sentia por ela, aquilo talvez não era amor, talvez nem tenha definição, depois disso só me lembro quando fecharam o cachão, sim cachão, meu cachão, ouvi uma voz dizer: - Ele se enforcou, mas quem começou tudo foi ele não entendo o porquê dele se enforcar, afinal foi ele que traíu a moça. Eu me matei por ela, talvez fosse isso a única forma de demostrar o meu arrependimento, e o meu amor por ela.


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